APÓSTOLOS





INTRODUÇÃO:
- Indagar às crianças:
* Quando você quer brincar em casa, na esc ola ou na rua, como escolhe seus amiguinhos?
- Deixar que falem a respeito, solicitando que esclareçam o motivo de suas escolhas.
- Dizer o seguinte:
* Quando vamos realizar algo, nos unimos a pessoas que pensam como nós.
Assim aconteceu, na história que narraremos em seguida, quando Jesus escolheu os seus discípulos, ou seja, aqueles que seguiam as suas idéias.


DESENVOLVIMENTO:
1) Narrar a história (Anexo)
2) Perguntar às crianças:
- Qual era a preocupação de Ângelo?
- Como vovô Carlindo ajudou o menino a resolver o problema?
- Como eram os homens escolhidos por Jesus?
- Por que Jesus escolheu homens que pensavam como Ele?


 ANEXO:


"A ESCOLHA DOS DISCÍPULOS"
Uma espreguiçadeira forrada com alvo lençol e uma confortável almofada abrigavam o homem adormecido.
Sua cabecinha branca, seu rosto sereno, seus olhinhos cerrados pelo sono . . . que coisa tão linda!
Foi assim que o rapazola esguio, recém-entrado na adolescência , encontrou seu avô, repousando na varanda repleta de samambaias. Emocionado, curvou- se e beijou- o docemente.
- Ângelo, meu querido, já de volta?
- Vovô Carlindo ... desculpe-me, não tinha intenção de acordá- lo.
- Não se aborreça, filho. Na minha idade, o sono já não é tão profundo. Fica- se ronronando como os gatinhos
... O que o intriga desta vez?
- Nada de tão grave, vovozinho ... apenas estou com um dilema: como o senhor sabe, eu tenho uma infinidade de amigos que me são muito caros e estou achando difícil selecionar entre eles os que devam vir em minha casa, sair em minha companhia, enfim, fazer parte do meu cotidiano.
- Ora, querido, vou contar- lhe como Jesus escolheu seus discípulos. Acho que isso vai ajudá- lo. E o velhinho começou:
- Ele tinha bom senso; procurou escolher, dentre a multidão que o acompanhava por toda parte, os verdadeiramente entusiasmados pelas suas idéias, aqueles seguidores fiéis, que seriam capazes de conduzir os outros homens, tal como o pastor que sabe guiar as suas ovelhas pelos lugares mais seguros, onde elas ficariam abrigadas e felizes.
Desse modo, Jesus começou a fazer convites. Passando pelo Mar da Galiléia, chamou os dois irmãos: Simão (que Ele chamou de Pedro) e André, que eram pescadores.
Prosseguindo, encontrou outros dois irmãos: Tiago e João, que também foram convidados. E assim, Jesus continuou até convidar doze homens, que Ele sabiam seriam capazes de levar sua mensagem por todo o território da Judéia.
Esses homens, seus discípulos, chamados, mais tarde, apóstolos, foram os seguintes: Simão Pedro, Tiago, João, André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago (filho de Alfeu), Simão e Judas Iscariotes.
Eram as pessoas certas; Jesus sabia que com eles a sua doutrina amorosa não seria perdida e ficaria sempre entre os homens.
O vovô terminou aí. Ângelo comentou:
- Essa história, vovô, mostra- me a seguinte verdade: devo selecionar, para conviverem comigo, os amigos cujos hábitos de vida, desejos e sonhos mais se assemelhem com os meus. Como o Mestre Jesus percebi que deverei escolhê- los, usando o mesmo critério de amor e justiça com que Ele escolheu os seus discípulos.


Rosenir Teixeira Pereira
Extraída do Livro "O melhor é Viver em Família" volume 12
(Fonte: Enviada por Jac ira ((Casa do Ceará ) - partic ipante da sala Evangelize CVDEE)

Algumas sugestões de dinâmicas para crianças...


Pode ser usada para vários temas:
- corpo humano em tamanho natural - uma pessoa deita em um papel onde ela caiba de corpo todo e outra a desenha (tipo kraft ou outro) (ela pode escolher a posição), depois a pessoa pinta seu próprio desenho com guache, pastel oleoso ou giz de cera e/ou faz colagem com papéis coloridos ou tecido. Depois, você faz uma roda e propõe que cada um fale de seu desenho e emenda fazendo perguntas que levem a pessoa a pensar sobre si mesma (que é o objetivo), por exemplo, qual foi o dia mais triste dela e o mais alegre, qual sonho ela tem, o que ela considera seus defeitos e suas qualidades, o que mudaria em si mesmo ou em sua vida, se pudesse etc. Mas dê um jeito de terminar com uma mensagem positiva.

 pintura com mãos e/ou pés - cada um pinta as próprias mãos (e/ou pés) com guache, usando um pincel, um rolinho ou as próprios dedos. Pode fazer vários, de cores diferentes, ou misturar cores e carimba em cartolinas fornecidas por você. Podem ser vários carimbos e na hora da roda você pede para a pessoa escolher qual ela quiser e depois você faz como no exemplo acima, faz perguntas que levem à reflexão, exemplo: como são estas mãos, o que elas fazem de bom, o que elas querem fazer ainda, como a pessoa se sente com elas etc.

caminho dos pés - esta atividade contempla o individual e o coletivo. Pedir para as pessoas fazerem seus pés, como no exemplo acima, ou contorna com canetinhas e desenha o que quiser dentro ou faz colagem, estes pés são recortados e colados com fita crepe pelo chão, pelas paredes e pelo teto, como se estivesse indo de um lugar para outro, por exemplo, o início pode ser a palavra EU e a chegada pode ser a palavra AUTO CONHECIMENTO. Também faz a roda e cada um mostra qual é sua pegada e você propõe as perguntas, exemplos: você sabe de onde veio, para onde está indo, o que quer da vida, do centro, da profissão, dos estudos, para onde gostaria de ir etc.

auto-retrato - a pessoa se olha no espelho e se desenha em um papel e depois pinta; ou, a pessoa traz uma foto de casa e se desenha olhando na foto e depois pinta; ou faz no próprio espelho, a casa fornece ou a pessoa leva um espelho com moldura (no 1,99 tem) e se desenha no espelho com caneta de retroprojetor (fechando um dos olhos, fica mais fácil fazer o contorno do rosto). Para pintar: caneta de retroprojetor, cola colorida, tinta acrílica, tinta esmalte vitral ou verniz vitral (estas duas são tóxicas, então pode não ser bom para crianças e jovens). Para a cola colorida colocar o espelho na horizontal para não escorrer. A moldura também pode ser pintada (tinta plástica ou acrílica). E depois faz a roda novamente onde cada um fala de seu trabalho e você sugere perguntas se houver necessidade. Obs: no papel dá para fazer vários auto-retratos, caso a pessoa não goste do primeiro.

Você pode começar a atividade com alguma atividade física, um pequeno alongamento por exemplo, depois pede para cada um prestar atenção na própria respiração e depois faz a prece (se for fazer, é claro). Depois, você coloca a música Caçador de mim, do Milton Nascimento, pede para ouvirem em silêncio e depois você propõe a atividade. No final, a roda, depois da roda, abraços e por fim a prece de agradecimento.
Se escolher trabalhar com as pinturas lembre-se de forrar com jornal, de levar bastante pano velho para limpar as mãos e copos com água para os pincéis e precisa ter uma torneira por perto para as pessoas poderem se limpar.
Lembre-se também de tirar foto de tudo e de levar mais de uma atividade porque jovens podem não querer fazer o corpo todo (as crianças adoram e acredito que adultos também gostarão), mas podem gostar do auto-retrato e da pintura nas mãos e pés.
Acho que ficará muito legal e bonito. Você pode encerrar a roda falando da importância do auto-conhecimento.
Observe que são atividades em que eles levarão algo para casa (o próprio trabalho) e isso costuma ser muito positivo e produzir uma boa impressão nas pessoas.


recebi da Claudia Rocha Azevedo

Parabola do Filho Pródigo


Jesus continuou: “Um homem tinha dois filhos. O filho mais novo disse ao pai: Pai me dá a parte da minha herança que me cabe. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu, e partiu para um lugar distante. E ai esbanjou tudo numa vida desenfreada. Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome nessa região, e ele começou a passar necessidade. Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para a roça, cuidar dos porcos. O rapaz queria matar a fome com a lavagem que os porcos comiam, mas sem isso lhe davam. Então, caindo em si, disse: Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome... Vou me levantar, e vou encontrar meu pai, e dizer a ele: - Pai pequei contra ti; já não mereço que me chamem teu filho. Trata-me como um dos teus empregados. Então se levantou, e foi ao encontro do pai.
Quando ainda estava longe, o pai o avistou, e teve compaixão. Saiu correndo, o abraçou, e o cobriu de beijos. Então o filho disse: Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço que me chamem teu filho. Mas o pai disse aos empregados: Depressa, tragam a melhor túnica para vestir meu filho. E coloquem um anel no seu dedo e sandálias nos pés. Peguem o novilho gordo e o matem. Vamos fazer um banquete. Porque este meu filho estava morto, e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado. E começaram a festa.
O filho mais velho estava na roça. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. O criado respondeu: É seu irmão que voltou. E seu pai, porque o recuperou são e salvo, matou o novilho gordo. Então, o irmão ficou com raiva, e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. Mas ele respondeu ao pai: Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua; e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos. Quando chegou esse teu filho, que devorou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho gordo! Então o pai lhe disse: Filho, você está sempre comigo, e tudo o que é meu é seu. Mas, era preciso festejar e nos alegrar, porque esse seu irmão estava morto, e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado.
ATIVIDADES:






ATIVIDADE INFANTIL ESPIRITA- DIVERSAS






CAUSA E EFEITO


MEDIUNIDADE NA CRIANÇA



A mediunidade, ao contrário do que muitos pensam, não é um dom sobrenatural. É uma faculdade que nos permite entrar em contato com os espíritos e com o mundo espiritual. Toda pessoa a possui, em maior ou menor grau, manifestando-a, muitas vezes, sem se dar conta. Mas, no campo de estudos do fenômeno mediúnico, designamos como médiuns aqueles que apresentam sua mediunidade de forma ostensiva, passível de ser analisada e até mesmo comprovada. Ser médium, neste sentido, não significa ser privilegiado ou mais evoluído, afinal, essa faculdade independe das condições morais do indivíduo. Sendo assim, frequentemente encontramos pessoas de moral duvidosa dotadas de expressiva capacidade mediúnica, enquanto outras, de conduta irrepreensível, mesmo sendo bastante influenciadas pelos espíritos mais elevados, são incapazes de produzir o menor fenômeno de efeito físico.
         Com relação à reencarnação, O Livro dos Espíritos nos explica que a união da alma com o corpo começa na concepção, mas não se completa senão no momento do nascimento. Desde o momento da concepção, o espírito designado para habitar tal corpo a ele se liga por um laço fluídico, que vai se fortalecendo cada vez mais, até que a criança nasça. Ainda em O Livro dos Espíritos, na questão 351, foi perguntado se no intervalo entre a concepção e o nascimento o espírito gozaria de todas as suas faculdades. Os espíritos respondem: “Mais ou menos, de acordo com a época, porque ele não está ainda encarnado, mas vinculado. Desde o instante da concepção, a perturbação começa a se assenhorear do Espírito, advertindo-o de que é chegado o momento de tomar uma nova existência; essa perturbação vai crescendo até o nascimento. Nesse intervalo, seu estado é pouco próximo ao de um Espírito encarnado durante o sono do corpo. À medida que o momento do nascimento se aproxima, suas idéias se apagam, assim como a lembrança do passado da qual não tem mais consciência, como homem, uma vez entrando na vida; mas essa lembrança lhe volta pouco a pouco à memória, no seu estado de Espírito”. Uma vez reencarnado, o espírito não recobra imediatamente suas faculdades. Estas se desenvolvem gradativamente, de acordo com o desenvolvimento dos órgãos. O espírito age de acordo com o instrumento (o corpo), com a ajuda do qual pode se manifestar. 
         A mediunidade é a faculdade que tem um indivíduo de se comunicar com o mundo físico e o mundo espiritual. Devemos encarar a mediunidade como uma benção que Deus nos dá, pois é uma oportunidade de trabalho na Seara do Bem, onde iremos resgatar débitos do passado. Possuir sensibilidade mediúnica não implica em ser privilegiado ou mais evoluído, afinal, essa faculdade independe das condições morais do indivíduo. Sendo assim, frequentemente, se encontra pessoas de moral duvidosa dotadas de expressiva capacidade mediúnica, enquanto outras, de conduta irrepreensível e dedicadas a Deus, são incapazes de produzir o menor fenômeno.
         A mediunidade infantil é um tema que instigou e ainda instiga alguns pesquisadores espiritualistas. Até mesmo Allan Kardec se preocupou em abordar o tema em O Livro dos Médiuns. Recentemente, a mídia brasileira explorou bastante este assunto. A Rede Globo de Televisão exibiu, em horário nobre, a novela Páginas da Vida, onde os personagens mirins, Clara e Francisco, viam e até conversavam com a mãe desencarnada. O cinema também soube explorar muito bem este tema por meio da película O Sexto Sentido, onde o garoto de 8 anos, Cole Sear, interpretado pelo ator Haley Joel Osment, é um médium que vê, constantemente, “pessoas mortas” que lhe procuram em busca de ajuda para solucionar assuntos mal resolvidos, pendências que lhes afligem o coração.
         Mas as estórias de crianças médiuns não ficam apenas na ficção. Temos relatos de médiuns famosos, como o nosso querido Chico Xavier, que desde os 5 anos de idade conversava com sua mãe, desencarnada, que o socorria quando sua madrinha lhe infligia maus tratos. A consagrada médium Yvonne Pereira manifestou sua mediunidade ainda criança, e aos quatro anos já falava com espíritos. Divaldo Pereira Franco, médium e palestrante espírita, declara ver espíritos desde criança, e que, aos quatro anos de idade viu a avó desencarnada, Dona Maria Senhorinha. Inclusive, Divaldo Franco tinha como companheiro na infância um indiozinho de nome Jaguaruçu. Conforme sua declaração “Jaguaruçu me apareceu quando eu contava cinco anos e se apresentava com a mesma idade que eu. À medida que eu crescia, ele também. Brincávamos, corríamos e conversávamos muito, a ponto de os meus familiares ficarem estranhando eu conversar, sorrir e correr sozinho. Eu lhes falava, mas só minha mãe acreditava. Quando eu completei doze anos, ele me disse que iria preparar-se para reencarnar, o que me causou uma grande dor e um susto, por identificar que ele não era uma criança física. Posteriormente, quando eu comecei a exercer a mediunidade com a consciência doutrinária, ele se comunicou várias vezes em nossas reuniões até 1949, quando anunciou que iria reencarnar. Eu o reencontrei na sua nova jornada e nos identificamos muito. Ele viveu 38 anos e já desencarnou, continuando a aparecer-me, porém, agora com as características da existência recentemente encerrada”. Não podemos esquecer de ressaltar as irmãs Fox: Kate, então com onze anos e Margareth, com catorze. Elas deram uma contribuição memorável aos estudos do mundo espiritual, a partir do momento que passaram a ouvir sons semelhantes a arranhões nas paredes, assoalhos e móveis em sua casa, no vilarejo de Hydesville, Estado de New York. A partir daí, Kate, em sua astúcia de criança, desafiou o mundo invisível se comunicando com os espíritos por meio de estalos de dedos, no qual a resposta foi imediata. A cada estalo, um golpe era ouvido a seguir. Assim, estabelecia a “telegrafia espiritual”, acontecimento histórico ocorrido na noite de 31 de março de 1848.
         Em janeiro de 2007, a revista IstoÉ fez uma matéria de capa intitulada Mediunidade Infantil – Crianças que falam com espíritos. Nesta matéria, pudemos ler como a Ciência vê estes fenômenos. A psicanalista Ana Maria Sigal, coordenadora do grupo de trabalho em psicanálise com crianças, do Instituto Sedes Sapientiae, tem a seguinte visão: "Há momentos em que a ilusão predomina e a criança transforma em real o que é apenas o seu desejo inconsciente. Ao brincar com um amigo imaginário, ela nega a solidão e cria um espaço no qual é dona e senhora. Já falar com parentes falecidos é uma forma de negar uma realidade dolorosa e se sentir onipotente, capaz de reverter a morte". Esta opinião não é unânime na medicina, pois como sabemos há médicos adeptos ao Espiritismo, tendo uma visão mais ampla e cuidando, também, do lado espiritual do paciente.
         Mas, até que idade uma criança poderia apresentar a mediunidade de forma espontânea e ostensiva? Richard Simonetti, conceituado escritor e palestrante espírita, explica que “até os sete anos, antes que complete o processo reencarnatório, o espírito conserva algumas percepções espirituais e pode ter experiências de contato com o Além, sem que seja propriamente um médium. Essa sensibilidade tende a desaparecer e vai ressurgir na adolescência, se ela realmente tiver mediunidade”.
         E como saber se a criança é realmente médium ou se o que ela narra é fruto de sua imaginação? Simonetti esclarece que “em princípio, é difícil definir. O melhor é não interferir, tratando com naturalidade a criança. A tendência é o fenômeno desaparecer, quer porque a criança se desinteressou em relação ao amigo imaginário, quer por que perdeu o contato com ele, a partir da consolidação reencarnatória”.       
         Não é sempre que uma criança médium tem visão de coisas boas, como um ente querido ou um amigo espiritual. Temos casos em que a visão é de antigos desafetos de vidas passadas, que procuram prejudicá-la em busca de vingança.
         Quando a criança não é compreendida pelos pais, sendo considerada como louca, perturbada ou vítima do demônio, a situação pode se complicar, trazendo como agravante profundos desequilíbrios psicológicos e emocionais. Vale ressaltar que muitas crianças só voltam a ter uma “vida normal” quando passam a freqüentar um centro espírita, recebendo os benefícios dos passes, das palestras e do culto do evangelho no lar.
         A mediunidade, em certos casos, pode ser provocada, o que não é aconselhável de maneira alguma no caso das crianças. Agnes Henriques, autora do livro Mediunidade em Crianças, escreveu em sua obra que em determinada época de sua infância participou da brincadeira do copo. Esta brincadeira tem as letras do alfabeto em pedacinhos de papel, um copo no centro, e por meio de invocações a espíritos aguarda-se que alguma entidade responda as indagações, enquanto um dos participantes permanece com a mão imposta em cima do copo que circula pelas letras. Ela conta: “Quando pequena, presenciei através de uma sessão dessas a descoberta de um assassinato. Em mim já se apresentavam indícios de faculdades mediúnicas. Eu ouvia vozes, via algumas entidades, chegava a responder quando me chamavam nominalmente. Minha mãe, sempre nessas horas, me incentivava a orar. Muitas vezes orava comigo e eu saía tranqüila sabendo que era um acontecimento normal. Eu já havia sido alertada por ela da seriedade que deveríamos estar revestidos quando no trato com os espíritos, e sempre me afastava dos meus amigos quando eles resolviam brincar com o famoso copo”.
         Eu tinha uma vizinha que sempre reclamava que dormia mal, pois sua filha de 3 anos, chorava a noite toda, parecia ver algo que a assustava muito. Depois de algum tempo, convidei-a a levar sua filha no centro espírita que freqüentava. Naquela ocasião, quando a menina ia entrar na cabine de passes, ela gritava e segurava no portal com muita força. O pavor era visível em seu rosto. Toda semana ela levava a filha neste centro e até o terceiro passe a menina agia do mesmo jeito. A partir da quarta vez ela foi ficando mais amistosa, e daí por diante não mostrou mais resistência ao tratamento, passando a dormir bem a noite toda.

Em uma entrevista pelo Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo, quando foi perguntado sobre o procedimento adequado diante de uma criança que vê constantemente determinada entidade e que se sente mal toda vez que recebe o passe, Agnes Henriques respondeu que “Normalmente nesses casos, a energização pelo passe, a água fluída e a oração são poderosos instrumentos de que se vale a espiritualidade na solução do problema (...) Os pais devem mostrar-se aptos a efetuar mudanças na conduta diária em seu recinto doméstico. Tudo que for para elevação do padrão vibracional deve ser cultivado, ao mesmo tempo em que se esforcem para afastar toda conduta que levar ao contrário (...) Se o pequenino demonstrar medo, é bom que os pais o acompanhem nas sessões necessárias ao tratamento espiritual, até que ele se acostume e encare com naturalidade tal fato. O ambiente da cabine de passes, ou locais destinados para tal, apesar de serem locais simples, destituídos de muita decoração, pode ser intimidante para uma criança que já deve estar assustada com os fatos que porventura estiverem lhe acontecendo. Normalmente, logo elas se acostumam, desde que os pais estejam tranqüilos e passem para elas essa tranqüilidade”.
         Vale ressaltar que o apoio familiar é de vital importância para que a criança consiga superar esta primeira fase da infância, quando poderá, na fase seguinte (dos 8 aos 12 anos), ter o conhecimento doutrinário e esclarecedor, caso a família venha a freqüentar um centro espírita que lhe proporcione este estudo, desenvolvendo assim, futuramente e com segurança, a mediunidade que porventura continue a se manifestar.
         A falta de preparo de alguns pedagogos em lidar com a mediunidade faz com que as crianças não recebam a devida atenção que merecem. Infelizmente, ignorar o problema ou fingir que ele não existe é a saída mais prática para os educadores e a família. A escritora e ilustradora de livros infantis, Rita Foelker, que também psicografa obras mediúnicas, esclarece que: “A criança, como espírito encarnado, é naturalmente médium, sujeita a influências sobre seu humor e seu comportamento. Se os educadores aprendessem a lidar com essa realidade, muita coisa seria diferente, não só na sala de aula, como nas reuniões de pais e no encaminhamento de situações que, atualmente, dão trabalho e deixam os professores sem saber o que fazer. Algum dia será assim, mas quem começa a levar a realidade espiritual em conta tem visão de futuro e está alguns passos à frente”.       
         Vários são os cuidados que se deve ter quando os pais notarem a mediunidade na criança, mas um é primordial e vale a pena repetir: jamais estimular a criança a desenvolver a mediunidade. Outras precauções também são importantes: não valorizar excessivamente o fenômeno; não ridicularizar a criança, pois pode deixá-la nervosa, provocando o seu afastamento e causando outros problemas; não demonstrar medo, o que irá deixar a criança insegura; e desacreditar simplesmente, sem apurar os fatos, pode deixá-la se sentindo mentirosa.
         O correto é prestar bem atenção nestas mudanças de comportamento da criança, analisando se suas visões são reais ou fazem parte de um mundo de fantasias, influenciadas por programas de televisão ou por necessitarem de afeto e atenção. A terapêutica espírita é muito eficaz nestes casos, e quando os pais não conhecem o assunto, o centro espírita tem pessoas capacitadas para a devida orientação e encaminhamento ao tratamento
         A mediunidade, para ser estimulada, não necessita de uma idade precisa. Tudo depende inteiramente do desenvolvimento físico e, ainda mais, do desenvolvimento moral, mas sabemos que para tudo na vida há o momento certo. Para finalizar, aconselho a todos os que desejam um aprofundamento maior no assunto, o estudo de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec.
        
Por Marco Tulio Michalick
Texto original publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição nº 48, ano 2007.