Queria, porém,
sair da lama.
Suspirava por chegar à superfície das águas e encontrar um
mundo novo.
Procurou os conselhos do Rei.
- Ora, ora... - Tenho eu lá
tempo para querer outro mundo? Este já me basta...
A Tartaruguinha, depois,
ouviu dizer que o Cação era o representante do mundo da superfície.
- É
preciso muito juízo - falou o Cação -
É preciso cumprir obrigações para
chegar lá em cima.
O Cação amarrou muitas fitas na Tartaruguinha.
Meteu-a
numa toca.
- Viva longe das tentações da lama, Tartaruguinha, senão... Bem,
você já sabe!
Algum tempo passou.
A Tartaruguinha, na toca, estava
cansada.
Não se sentia nem melhor e nem pior.
Via-se, porém, amarrada
demais.
Num belo dia, abandonou aquele buraco.
Ela procurou o Peixe
Estrela.
Ele ouviu, ajeitou os óculos, pigarreou.
É preciso decorar
palavras mágicas - garantiu, tirando o nariz dos livros, sem elas, não há
salvação.
A Tartaruguinha decorou livros e mais livros.
Nunca, todavia, se
sentia a caminho da superfície.
Assim é que abandonou tudo.
Já meio
desanimada, falou com o Peixe Espada:
- Olá, seu Espadinha!
- Olá,
Tartaruguinha! Ouvi dizer que você quer salvar-se da lama.
- É verdade.
O
Peixe Espada disse-lhe:
- Não há mistério nenhum para isso. A regra é uma só
para todos: "Ajude os que sofrem e se ajude estudando."
A Tartaruguinha não
perdeu tempo.
Correu a socorrer um peixe reumático.
Dali, foi levada a
medicar um corte no tentáculo de um velho Polvo.
O Polvo, agradecido, pediu
que ela cuidasse da dor de dentes do Ouriço.
Socorrendo e estudando,
sentia-se feliz.
Passou a dar conselhos de paz ao Tubarão.
O Tubarão
levou-a a visitar a Baleia.
A Baleia, então, pela primeira vez, ouviu a
Tartaruguinha falar do mal da gula.
De repente...
Ora, que aconteceu de
repente?
A Tartaruguinha, nada mais, nada menos, estava na superfície da
baía,
Um mundo maravilhoso à sua frente!